Conectando processos e negócios na era digital

Compartilhar:

Nunca tanta tecnologia sofisticada esteve tão disponível e acessível como está agora.

O nível de sofisticação numa solução de IA, em diferentes serviços de nuvem, nos  ERP´s atuais em sistemas de engenharia (CAD, CAM, CAE, CNC, DNC) ou em IoT, etc, é impressionante.

Em várias situações estas soluções podem passar uma falsa impressão de simplicidade no uso.

Esta aparente simplicidade pode induzir a uma abordagem de implementação simplória e rasa.

Tanto no caso de soluções pessoais como no caso de soluções empresariais é chave entender que estas soluções criam possibilidade de melhorias efetivas de processos existentes ou desenvolvimentos de novos processos e mesmo de novos negócios, potencialmente disruptivos.

A implantação de uma dessas tecnologias deve ser precedida de um entendimento mínimo das mesmas, em particular em relação ao que se deseja alcançar, quanto faz sentido investir e quais as ações paralelas ou complementares a considerar.

Como um breve exemplo vamos considerar a implementação de um ERP atual em uma dada empresa.

Um sistema como o Dynamics 365, da Microsoft, sucessor do Dynamics AX, por exemplo.

O primeiro novo conceito a considerar é a Nuvem. O 365 foi originalmente desenvolvido para operar em Nuvem.

É preciso entender as principais implicações que daí derivam.

A primeira delas é que, mais do que o escopo tradicional de um ERP com funcionalidades voltadas a serviços de backoffice como finanças, RH, estoque, vendas e produção, o fato de ser “nativo” da nuvem, implica em possibilitar muitíssimo mais do que estas funcionalidades tradicionais. O sistema está apto, através de métodos padronizados, a conectar-se a inúmeras funcionalidades que estão na nuvem configurando assim uma verdadeira plataforma de negócios mais do que um ERP tradicional.

Por outro lado, o 365 trás em seu próprio pacote de funcionalidades, portas específicas e especializadas para conexão com tecnologias disponíveis na Nuvem.

Um exemplo é o Hub para IoT que permite a conexão, gerenciamento e monitoramento de literalmente milhões de diferentes dispositivos de IoT independente de padrão de conexão ou de geografia.

Trata-se de um produto completo e incorporado ao pacote do 365 que permite, de forma ágil e econômica, a conexão do ERP ao mundo físico global.

Uma abordagem mais rasa que desconheça essa funcionalidade limitaria absurdamente as possibilidades de conectar o core de gestão de uma empresa a operações externas.

Pensemos, como exemplo, em um cenário de Agronegócio onde um escritório central administra operações que envolvam várias localidades onde aconteçam plantio, colheita, armazenagem, transporte e comercialização.

Cada uma dessas etapas gera muita informação, várias delas em tempo real.

Tratores, plantadeiras e colheitadeiras trazem embarcada tecnologia digital para monitoramento detalhado das operações assim como levantamento de indicadores de produtividade.

Da mesma forma, sistemas atuais de armazenagem e beneficiamento (silos e secadores de grãos) incluem geração de informação digital gerando e recebendo continuamente informação.

Mais recentemente a tecnologia de drones tornou-se uma fonte inesgotável de informação, em particular na forma de imagens de altíssima resolução e num espectro amplo de frequências, o que permite inclusive a leitura de informação invisível ao olho nu como nível de umidade ou presença de diferentes elementos químicos no solo, por exemplo.

Todas estas fontes de informação podem estar diretamente ligadas ao ERP contribuindo enormemente, por exemplo, no processo de custeio das operações, fator dos mais críticos para a gestão do agronegócio.

Como dito acima, a introdução de um novo patamar de tecnologia demanda um esforço paralelo significativo no sentido de rever/redefinir os processos de negócio, incluindo-se nessa revisão a qualificação adequada das pessoas.

Por exemplo, ainda pensando no Agro, a gestão de uma frota de tratores, colheitadeiras e plantadeiras no cenário digital é muito diferente do que tradicionalmente é no ambiente puramente analógico. No ambiente digital, a ação do operador é muito mais analítica e refinada. Ele deve estar preparado para receber e interpretar muitíssimo mais informação do que no cenário puramente analógico. Por outro lado, os responsáveis pela gestão de custos, terão disponível em tempo real informação sobre a performance das máquinas, por exemplo, que permitirão predizer custos futuros de manutenção e de consumo de combustível, fatores críticos no custeio das operações que envolvem este tipo de equipamento.

Em resumo, subir um patamar em termos de tecnologia é muito mais do que comprar a tecnologia em si. É preciso um esforço sólido focado nas pessoas e nos processos de forma a maximizar o resultado do investimento em tecnologia.

Infelizmente temos visto exemplos contrários, onde o foco está em comprar a tecnologias (às vezes com investimentos consideráveis) e tratando processos e pessoas numa segunda prioridade.

leia

também